Publicado por: otaodabiologia | 10/02/2011

Estimule seus alunos a colar – parte I

Já faz um certo tempo que desejo escrever sobre esse assunto, mas preferi colocá-lo em prática previamente para verificar os resultados. Talvez isso pareça totalmente contraditório com a função da escola e do professor, mas leia o texto até o final e tente colocá-lo em prática para você verificar os resultados.

Certo tempo atrás li um artigo na internet que foi escrito não por professores ou qualquer pessoa voltada para a área de educação, mas de alguém que trabalha diretamente com informática. Talvez por isso tenha me chamado tanto a atenção. Seu texto falava que a cola na escola deveria ser estimulada entre os alunos. Os argumentos para isso advém do fato de que hoje ninguém mais trabalha sozinho, todo o conhecimento é compartilhado. Seja qual for a profissão do indivíduo – desde que seja necessário o trabalho intelectual – o individualismo na realização de tarefas está praticamente acabado. Além disso, hoje chegamos a um ponto de desenvolvimento que é impossível conhecer todas as ferramentas para realizar uma tarefa, ou até mesmo é muito complicado encontrar alguém que domine 100% de um ferramenta complexa.

Outro princípio fundamental que dá suporte a essa ideia é que o acesso a informação é extremamente mais fácil hoje do que no passado, e ter acesso a ela de forma segura e rápida é um dos grades pilares do sucesso profissional. Grande parte disso deve-se a internet, mas isso não é tudo. O acesso aos livros também ficou mais fácil.

Dentro desse contexto, a forma de educar pouco evoluiu. A educação nunca passou por uma grande reformulação e não consegue acompanhar as mudanças sociais e tecnológicas. Basicamente continuamos com a mesma forma de educar utilizada durante a era medieval: um quadro e um giz. Avanços nessa área incluem o uso de livros didáticos coloridos (mas que mesmo assim nem todos tem acesso a eles), laboratórios de ciências (para algumas escolas isso seria uma dádiva e, para as que possuem, falta capacitação profissional e equipamentos úteis, o que provoca sua subutilização) e, por incrível que pareça, a presença de biblioteca. Muitas escolas não possuem biblioteca e aquelas que possuem caem na mesma problemática dos laboratórios de ciências: a subutilização. Raríssimas são as escolas que utilizam recursos de informática que são relamente educativos.

O fato de permitir e estimular os alunos a colarem não é nem de perto uma atitude inusitada, muito pelo contrário. Utilizar o termo cola soa muito agradável aos ouvidos adolescentes do que o termo “prova com consulta”. Existem diversos fatos que distinguem os dois e se você eventualmente aplica uma avaliação com consulta ou em grupo, o que seria nesses termos uma “cola”, acredite que esse fato deveria ser considerado um crime contra a educação. Em primeiro lugar devido ao fato de que em avaliações com consulta de livros e cadernos o aluno não é estimulado a estudar, geralmente ele apenas encontra a informação em seus meios e a reproduz no documento. Em avaliações em grupo, quando não é o professor que seleciona os times, favorecemos a formação de equipes que escolhem um aluno mais “inteligente” ou “com facilidade para aquela disciplina” que irá realizar a tarefa individualmente, sendo que o restante do grupo irá receber uma nota que não mede o seu conhecimento. Um aluno ditar e os outros escreverem não é trabalho em grupo.

Contudo, quando falamos em estimular os alunos a colar significa permitir que o mesmo utilize um resumo, obrigatoriamente manuscrito. O mais importante é fazer o aluno aprender, inconscientemente, a preparar um resumo que possua um conteúdo realmente útil. Ele deve aprender a selecionar informações e usa-las de maneira correta. Isso implica no passo mais importante da aplicação dessa técnica que recai não sobre o aluno, mas sobre o professor: saber fazer as perguntas de maneira correta.

De nada adiantaria criar questões em que o aluno irá olhar em sua cola e transcrevê-la para a avaliação. Nesse sentido questões em que envolvam definições são inúteis e devem ser evitadas. Exemplo:

1. Qual é a função da mitocôndria?

Na questão acima o aluno provavelmente irá apenas copiar o que está escrito em sua cola. Uma outra forma de cobrar o mesmo conhecimento seria colocando o aluno em uma situação problema em que ele só vai conseguir resolve-la tendo consigo a compreensão daquela informação que está na cola. Uma proposta para a mesma questão seria:
*******************************************************************
1: Observe a tabela abaixo que mostra uma contagem de mitocôndrias em três diferentes células humanas:

Explique porquê encontramos diferentes valores encontrados na tabela acima.
Dados: Osteócitos: células do osso; condrócito: células da cartilagem; fibra muscular: célula do músculo.
********************************************************************

O aluno pode, e deve, possuir uma tabela em sua cola que relacione o nome com função da organela. Para ele resolver a questão acima, ele precisa entender que a mitocôndria é responsável por produzir ATP (energia) para a célula, e não apenas copiar a função da mesma. Acima de tudo, o aluno precisa compreender a situação problema e saber conciliar os dados que ele já possui com os dados fornecidos pelo problema. Pensar é essencial. Como as fibras musculares necessitam de mais energia do que células do osso ou da cartilagem, elas devem possuir mais mitocôndrias.

Como podemos notar, a forma como a avaliação deve ser construída é um ponto central no processo. Ao implementar a utilização de cola entre meus alunos observei coisas interessantes. A primeira delas é o fato de que as notas não sofreram alteração significativa, nem para cima, nem para baixo, indicando que não é mais fácil obter um bom resultado pelo fato de poder “colar”. Uma das causas disso deve-se ao fato de que essa avaliação possui uma nova modalidade de formulação de questões das quais os alunos não estavam adaptados. Por outro lado, todos os alunos prepararam sua cola. O que isso significa? Que aqueles que nunca se preparavam para um prova pela primeira vez pararam para preparar sua cola e, com isso, tiveram contato com o conteúdo. Obviamente ele pode ter copiado a cola de alguém, mas ainda assim ele teve que ler sobre o conteúdo e reescreve-lo, que é exatamente uma forma que muitos utilizam para estudar.

Outro ponto que vale destacar é que o professor pode pedir que o aluno crie duas colas idênticas. Uma ele utilizará na avaliação e outra ele entregará ao professor antes do início da prova. A cola pode ser avaliada pelo professor e ajudar na nota final da mesma, visto que ela é uma evidência de como o aluno estuda, além de como e quanto ele se dedica aos estudos extra classe.

A segunda parte desse artigo eu irei dedicar a como fazer avaliações condizentes e que estimulem o raciocínio dos alunos. Até lá!

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Responses

  1. Ola Prof.
    Sou professora do curso de Eng. Ambiental de uma faculdade paricular em Vitoria -ES e tenho mestrado na area de tratamento de efluentes industriais. Adorei o artigo sobre estiular os alunos a colar e ja estou aplicando. So fiquei com uma duvida: devo limitar o tamanho da cola? Porque percebi que se nao limitam eles acabam nao resumindo nada, consequentemente nao estudam e e na hora da prova ficam perdidos. Adotei o padrao de meia folha de papel oficio. Gostaria de saber a sua opiniao sobre o assunto. Obrigada
    Prof. Maria Alice M. Marques

  2. vc tem problema???

    • Não entendi a sua colocação? O que você quer dizer com “problema”?

  3. olá estou cursando licenciatura em ciências biológica e eu tenho dois professores que fazem isto … é simplesmente ou você estuda ou você vai si ferrar ;pois se você não possuir uma matéria em ordem ou não ler o artigo … na hora da prova você vai se dar mal

    Carmo


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