Publicado por: otaodabiologia | 12/01/2011

E a história se repete…

Ahhhhhh…. o verão!!!

Essa época do ano é, de longe, a mais esperada pela grande maioria das pessoas. O verão possui algumas particularidades inerentes a sua própria existência: Sol, calor, férias e… tempestades, inundações, destruição e morte. Todo ano é exatamente a mesma coisa. Mas, afinal de contas, o que provoca tudo isso? Será que as mudanças climáticas já estão em curso a todo vapor? Não, absolutamente não.

O que ocorre todos os anos é um completo descaso não somente por parte do governo, mas também em grande parte pela população. O crescimento desordenado das cidades é uma marca fundamental dos países subdesenvolvidos e é o grande responsável pela calamidade que vemos todos os anos nos períodos de chuvas. Exemplo claro disso é a construção de grandes vias de trânsito à beira de rios, como ocorre nas marginais Pinheiros e Tietê, em São Paulo. Sempre se soube que as chuvas alagavam uma grande área desses rios, as quais, antes de serem impermeabilizadas por asfalto, serviam de áreas de lazer para a população. Em épocas de chuva o futebol tinha que ser cancelado por que o campo era engolido pelas águas – ainda limpas – dos rios paulistanos. E o que toda inteligência humana (ou melhor, brasileira?) fez? Construiu grandes corredores viários que servem como principal via de trânsito para milhões de pessoas diariamente. O resultado disso é óbvio.

A “grande enchente de 1929”. Ponte sob o rio Pinheiros.

 

Enchete na marginal do rio Pinheiros

Por um lado, a população insiste em ocupar áreas inapropriadas. Ela é movida por pelo menos dois fatores críticos: ignorância (fato de desconhecer que aquela não é uma região apropriada para construir moradias) e arrogância daqueles que sabem dos riscos, mas insistem em construir baseados na falsa segurança de que nada irá acontecer. O governo, que é composto de seres humanos falhos e corruptos, também erra duplamente: não fiscaliza e remove as famílias em situação de ocupação ilegal, seja por humanismo exacerbado, seja por falta de comprometimento com a população, como também não constrói moradias em locais seguros para evitar que famílias construam em locais inseguros.

Em particular, gosto de falar da ignorância/arrogância dos seres humanos. Todos gostaríamos de desfrutar de uma bela paisagem vista da janela de casa, poder passar pelo portão e estar com os pés na areia. Contudo, quando passamos a conhecer os riscos que corremos, não podemos aceitar comprar ou construir uma moradia nesses locais. O exemplo mais clássico que podemos ver da estupidez humana é a construção de cidades nos pés de vulcões, algo muito comum na Europa, em particular, na Itália. Sabe-se que aquilo é um vulcão (ninguém é cego), sabe que ele não está inativo, e ainda assim as pessoas moram aos seus arredores. Isso é um pedido direto para que haja uma catástrofe. E vai ocorrer, é só uma questão de tempo.

Alguns desastres naturais já estão pré divulgados, como a morte de milhares, talvez milhões, de californianos que moram sobre uma das mais perigosas falhas geológicas – alias, cerca de 400 milhões de pessoas vivem em cidades localizadas sob falhas geológicas e correm um risco iminente de morrerem devido a abalos sísmicos.

Exemplo da arrogância humana. Desastre em Angra dos Reis no Réveillon de 2010. Observe o fato de que a encosta acima das casas é rochosa, havendo uma pequena quantidade de terra cobrindo-a.

Alguns podem tentar contradizer que o crescimento desordenado é o principal causador dessas tragédias, exemplificando o seu ponto de vista com as inundações que assolam os australianos. A Austrália é um país desenvolvido e altamente organizado, e nem por isso deixa de sofrer com inundações. Contudo, os impactos sobre os australianos, em número de mortes, é incomparável aos que acometem os países subdesenvolvidos. As mínimas condições de infraestrutura são essenciais para evitar catástrofes de maiores consequências. Um exemplo recente ajuda a compreendermos melhor tal cenário: os terremotos que abalaram o Haiti e o Chile. Embora ambos tenham deixado vítimas nos dois países, a infraestrutura das habitações chilenas impediram que houvesse um número maior de vítimas fatais. O mesmo não podemos afirmar do Haiti. Mesmo com um terremoto de menor intensidade (7 graus de magnitude comprado aos 8,8 graus no terremoto chileno) o número de mortos chegou a mais de 300 mil. No Chile, a quantidade de vítimas fatais não chegou a mil.

Infelizmente, em Janeiro do ano que vem, estaremos novamente sentados em frente da TV observando, chocados, inúmeras famílias desabrigadas por causa das chuvas, inúmeros mortos devido a deslizamento de encostas e a engarrafamentos colossais nas grandes cidades. Pior de tudo, sabemos que isso vai ocorrer e não faremos nada para evitar, ou mesmo para minimizar as suas consequências. Em Janeiro de 2011 ocorreram os desastres em São Paulo e na região serrana do Rio de Janeiro, em 2012 ainda não podemos afirmar onde serão, mas certamente ocorrerão. Tenho pena pelas perdas individuais, mas de forma geral acredito que estamos pagando o preço da nossa feliz ignorância.

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Responses

  1. Fiquei com uma dúvida… é certo pagarem o preço pela ignorância, sendo que a sociedade faz de tudo para continuarem ignorantes??
    Existem leis para a construção de qualquer casa. O que não existe é uma fiscalização não corrupta, pois não acredito que as coisas acontecem sem ninguém ver… a corrupção faz com que prestem mais atenção. Agora.. as pessoas que não participaram disso, não foram educadas, acreditam que “se deram bem” são prejudicadas e acabam exigindo do governo algo que ele pode “dar as costas” ou dizer que está ajudando pq eh legal, pois foi construida em local errado… quem disse que essas leis existem para estas pessoas? Quem disse que era errado? Não nos estimulam a pensar, a buscar conhecimento… pelo contrário. Seria certo pagarmos pela ignorancia que nos é imposta?


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