Publicado por: otaodabiologia | 23/06/2010

A política do buraco na camada de ozônio

Publiquei, recentemente, um artigo sobre equívocos científicos relacionados à formação do buraco na camada de ozônio. Nesse artigo, irei entrar em um campo de discussão um tanto quanto delicado: as influências políticas que atuaram e ainda atuam sobre o tema.

Em primeiro lugar, é interessante retomar a descoberta do buraco na camada de ozônio. Diferentemente do que se possa imaginar, tal buraco não foi descoberto por pesquisas científicas nos anos 70 e 80. Já se conhecia a presença de tais “buracos” desde 1950, quando R. Penndorf, do Laboratório da Força Aérea, localizado em Cambridge, verificou valores muito baixos na concentração de O3 obtidos da estação de Tronsoe, Noruega, além de uma grande variabilidade diária em sua concentração (até 100% de variação) ao analisar os dados obtidos entre 1926 e 1942. Essas anomalias foram chamadas por Penndorf de “buracos na camada de ozônio”. Somente em 1985 essa expressão ficou famosa, quando J. B. Farman et al., do British Antartic Survey, publicaram um artigo sobre o tema na revista Nature.

Em 1960, o cientista Gordon Dobson escreveu em seu livro que o “buraco” na camada de ozônio era natural. Aliás, Dobson utilizou a expressão “anomalia” ao invés de “buraco”. Coincidentemente, o termo “buraco na camada de ozônio” proposto por Farman et al. em 1985, que relacionava sua causa com a liberação de CFCs na atmosfera, surgiu na mesma época que os CFCs caíram em domínio público, ou seja, as indústrias que detinham sua patente (ICI,Du Pont, Atochem, Hoechst, Allied Chemicals) não receberiam mais os royaltes sobre o produto.

Como as empresas que detinham os royaltes sobre o CFC estão localizadas em países de primeiro mundo, e por isso mesmo pagam impostos para esses governos, parece ter havia um duplo prejuízo. Para evitá-lo, parece ter havido um convencimento dos governos locais pelas empresas supracitadas para darem apoio a uma “farsa da destruição da camada de ozônio pelos CFCs”. Pouco tempo depois dos primeiros trabalhos que relacionavam os CFCs com o aumento desse “buraco” terem sido publicados, as empresas já possuíam os substitutos para os CFCs usados até então. Para se ter uma ideia, o freon-12 custava US$ 1,70/kg e, seu substituto, o R-134, chegou com um valor de US$ 20,00/Kg. Dessa forma, as empresas conseguiram não só manter os seus lucros por meio dos royaltes como também pela elevação absurda do valor do produto. Para tornar a situação ainda mais absurda, os países que desejavam renegociar suas dívidas com o FMI foram obrigados a assinar o Protocolo de Montreal, o qual bania o uso de CFCs pelos países signatários.

O cientista brasileiro Luiz Carlos B. Molion, PhD em Meteorologia, revisou os dados de Oslo e Tronsoe, Noruega, e publicou um artigo demonstrando que as variações nas concentrações de ozônio estratosférico são altamente variáveis e que estas dependem de variações nos fatores internos e externos do sistema Terra-Atmosfera, como por exemplo a radiação ultravioleta produzida pelo Sol e a presença de aerosóis de origem vulcânica. De acordo com o seu trabalho, e de muitos outros autores, não existem evidências científicas que comprovem que a ação humana, por meio do uso de CFCs, influencia a camada de ozônio.

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Responses

  1. […] A política do buraco na camada de ozônio « ..o Tao da Biologia.. em 23/06/2010 às 10:29 […]


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