Publicado por: otaodabiologia | 28/12/2009

CO2: matéria-prima para nova geração de combustíveis.

Nos últimos artigos publicados, venho propondo que o verdadeiro motivo para o alarde mundial sobre um possível aquecimento global antropogênico é, na verdade, fruto de um mecanismo acionado para que haja uma diminuição na dependência de petróleo como matriz energética base do planeta, visto que a demanda de energia vem aumentando vertiginosamente e as fontes do mesmo se tornando cada vez mais escassas (mesmo com a descoberta do pré-sal aqui no Brasil). Dessa forma, com o temor generalizado, o investimento em novas fontes de energia que venham a cumprir o papel do petróleo hoje em dia assenta-se como meta para todas as nações.

Como já esperado, inúmeras pesquisas científicas no campo de energias limpas e renováveis tomaram vulto nos últimos anos. Embora a massificação dos termos “energia solar”, “energia eólica”, “energia de marés”, entre muitos outros, tenham ganhado maior destaque na mídia, nenhum deles está nem ao menos próximo de poder suprir a demanda de regiões pequenas, quanto mais de regiões metropolitanas altamente industrializadas, o que obviamente impediria o crescimento das nações em desenvolvimentos (como Brasil, Índia, China e África do Sul, por exemplo) e das nações subdesenvolvidas. Por outro lado, alguns outros grupos de pesquisadores mergulham profundamente em soluções muito mais reais, como publicado em meu último artigo “Reatores de Fusão: o futuro da energia“.

Ainda dentro das possibilidades de soluções realmente viáveis, cientistas dos Estados Unidos publicaram recentemente um artigo que me chamou a atenção não só pela destreza, mas pela inteligência oculta por trás da visão norte-americana que, ao invés de promoverem um alarde generalizado por meio de campanhas anti-carbono e coisas do tipo, preferiram investir em pesquisa, deixando para trás todos outros países que apenas fizeram e ainda fazem apenas barulho, como no caso do Brasil, que é incapaz de tomar conta do próprio território (entenda-se como “Amazônia”), permitindo queimadas e desmatamentos ilegais, uma das principais fontes de emissão de CO2 brasileira.

Basicamente, como já relatei em um breve post aqui no site, os cientistas da Universidade da Califórnia aprimoraram o método de “fotossíntese” por meio de engenharia genética. O indivíduo escolhido pelos cientistas foi a cianobactéria Synechococcus elongatus. A cianobactéria foi alterada geneticamente de forma a produzir isobutiraldeído a partir do CO2 atmosférico. O isobutiraldeído é precursor de diversas substâncias químicas, incluindo o isobutanol, o qual pode ser utilizado como substituto da gasolina. Caso queira ler o artigo original, clique aqui.

Embora existam diversas maneira de produzir etanol diretamente a partir de processos semelhantes à esse, existe um grande problema em quase todos eles no que tange à retirada do produto do meio no qual ele foi produzido. Exemplo dessas formas de produção de etanol diretamente por meio da fotossíntese são as bactérias Rhodobacrer spaeroides e Rhodobacrer capsulatus, ambas alteradas geneticamente e capazes de produzir o etanol com uma titulação final igual a aproximadamente 800 mg/l.

A nova abordagem utilizada pelos pesquisadores para produzir combustível por meio da fotossíntese é baseada no fato de que o isobutiraldeído possui um baixo ponto de ebulição (63ºC) e uma alta pressão de vapor (66 mmHg a 4,4ºC), fazendo com que ele seja facilmente extraído da cultura microbiana durante sua produção. O fato de poder ser removido da cultura durante o processo de produção resulta na diminuição da sua citotoxicidade, possibilitanto a utilização de culturas de bactérias por longos períodos.

As próximas décadas serão dedicadas literalmente a estudos que aprimorem cada vez mais as técnicas de obtenção de energia de fontes renováveis, não necessariamente devido à preservação do meio ambiente, mas certamente com enfoque para a manutenção do crescimento da economia em escala mundial. Que o Brasil tome uma iniciativa verdadeira para explorar essa nova possibilidade de crescimento e deixe de realizar apenas discursos voláteis, que até hoje não trouxeram resultados positivos para a população brasileira.

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