Publicado por: otaodabiologia | 24/12/2009

Reatores de Fusão: o futuro da energia

Frente ao fanático e problemático “aquecimento global” está a principal causa dos temores humanos: a dependência energética baseada em recursos não-renováveis. Basicamente, a maior parte da energia produzida no planeta é derivada da queima direta de combustíveis fósseis, originados do petróleo e do carvão natural. Entretanto, tanto o carvão natural como o petróleo são bens não-renováveis, cuja aplicação não está somente relacionada à sua queima para produzir energia elétrica, mas também, como no caso do petróleo, para produzir tintas, solventes, óleos lubrificantes, plásticos, entre muitos outros.

Com as reservas mundiais de petróleo se exaurindo e o consumo aumentando, o colapso de todas as economias é cada vez mais real caso não se desenvolva tecnologias para geração de energia elétrica a partir de outras fontes. De fato, com todo clamor mundial sobre o aquecimento global, fontes alternativas de energia se desenvolveram e ganharam mercado. Pessoas “ecologicamente corretas” ou “ecologicamente comprometidas” adquiriram painéis solares para literalmente enfeitar seus telhados e mostrar aos seus vizinhos o quão engajadas são, ou em uma situação um pouco mais arrogante, para mostrar que possuem dinheiro.

Infelizmente, o uso da energia solar é um dos maiores romantismos que existem sobre o assunto de energias renováveis. Basta tomarmos a maior usina solar em operação no mundo e fazer as devidas comparações para ver como é difícil manter essa fonte, principalmente para países pobres e em desenvolvimento. Atualmente, a menina dos olhos dos ambientalistas está localizada na Espanha, a 30 km de Sevilha. A usina conta com 900 espelhos de 120 m2 que se movem junto com o Sol para refletir seus raios em uma torre de 160 metros de altura. Com  todos os raios solares convergidos em um único ponto, a energia concentrada faz a água que circula dentro de tubulações na torre evaporar e girar uma turbina que produz energia elétrica. A energia produzia por essa usina é capaz de abastecer aproximandamente 180 mil residências, o que equivale a aproximadamente 600 mil pessoas.

Mas onde está o romantismo nisso tudo? Acontece que essa usina ocupa uma área equivalente a 60 campos de futebol e teve um custo de meio bilhão de dólares. 600 mil habitantes é aproximadamente o que possui a cidade de Santos, litoral de SP. Você consegue imaginar a viabilidade de construir uma usina como essa para abastecer uma cidade desse tamanho? Imagine o que seria necessário construir para abastecer uma cidade como São Paulo! Infelizmente, não se pode acreditar que esse tipo de fonte energética poderá suprir as necessidades de cidades de médio e grande porte, principalmente por que existirão diversas indústrias com alta demanda, e não apenas residências. Mesmo que o custo seja altamente reduzido, ainda sim teríamos diversos problemas relacionados à própria natureza dessa fonte, uma vez que em dias nublados ou longos períodos sem Sol (como no caso do inverno), a geração de energia elétrica seria drasticamente afetada.

Fusão Nuclear

Embora você já deva ter ouvido falar em energia nuclear, com todas suas desvantagens colocadas em primeiro lugar, não se trata de reatores nucleares convencionais, os quais são reatores de fissão nuclear e baseiam-se na quebra de núcleos atômicos (como o de urânio ou plutônio). Reatores de fusão nuclear ainda não estão funcionando comercialmente, mas em um breve futuro estarão.

As pesquisas com fusão nuclear tiveram início há décadas e hoje existe o principal projeto que pode alterar o rumo da produção de energia elétrica pela humanidade. Trata-se do projeto ITER, um consórcio entre 7 nações que está sendo desenvolvido na cidade de Cadarache, sul da França.

Para promover a fusão nuclear, os cientistas do ITER tiveram que alcançar a incrível temperatura de 150 milhões de graus Celcius, o que significa que a temperatura em seu interior é 10 vezes maior que a do núcleo solar. Obviamente, para alcançar essa temperatura, muita energia é utilizada. Entretanto, o rendimento obtido pelo ITER é 10 vezes maior que a energia inicial de ativação. Com o uso de 50 MW a produção é igual a 500 MW.

Você deve estar se perguntando sobre o lixo nuclear, não é? Pois a fusão nuclear irá formar apenas Hélio (um gás inerte) e nêutrons. Os nêutrons serão depositados dentro do vaso do reator e serão utilizados para produzir calor e ativar materiais. Para saber mais sobre o ITER e o meio ambiente, acesse http://www.iter.org/Pages/Environment.

Embora tenha consumido bilhões de dólares em pesquisas (o que parece um contrasenso em relação aos 500 milhões consumidos pela construção da usina de energia solar da Espanha) trata-se apenas de um reator de fusão nuclear experimental, cuja única função é abrir caminho para reatores comerciais. Esses reatores dificilmente estarão disponíveis comercialmente antes de 2030, mas frente a atual situação energética mundial as expectativas de que todos os detalhes técnicos sejam resolvidos o mais breve possível, e com segurança máxima, são as maiores possíveis.

Atualmente, o projeto encontra-se na fase de preparação do terreno do local onde será construído o reator, construção essa que começará em 2010 e será concluída, de acordo com as estimativas, em 2018. Caso o ITER obtenha sucesso em suas pesquisas, o passo seguinte é dar início ao DEMO (Demonstration Power Plant), cujo design deverá estar pronto em 2017. Com tudo ocorrendo bem, espera-se que o DEMO esteja em operação comercial em 2030. Em 2040, espera-se que a fusão nuclear esteja entre as principais fontes de energia do planeta, visto que o DEMO foi projetado para produzir entre 2000 e 4000 MW.

Agora temos alguns caminhos a percorrer: investir em pesquisas na área, qualificar apropriadamente mais técnicos, engenheiros e físicos, promover o reconhecimento da importância desse projeto para toda a sociedade, entre muitos outros. Vamos correndo atrás do futuro!

Até a próxima!

Anúncios

Responses

  1. […] Como já esperado, inúmeras pesquisas científicas no campo de energias limpas e renováveis tomaram vulto nos últimos anos. Embora a massificação dos termos “energia solar”, “energia eólica”, “energia de marés”, entre muitos outros, tenham ganhado maior destaque na mídia, nenhum deles está nem ao menos próximo de poder suprir a demanda de regiões pequenas, quanto mais de regiões metropolitanas altamente industrializadas, o que obviamente impediria o crescimento das nações em desenvolvimentos (como Brasil, Índia, China e África do Sul, por exemplo) e das nações subdesenvolvidas. Por outro lado, alguns outros grupos de pesquisadores mergulham profundamente em soluções muito mais reais, como publicado em meu último artigo “Reatores de Fusão: o futuro da energia“. […]

  2. […] https://otaodabiologia.wordpress.com/2009/12/24/reatores-de-fusao-o-futuro-da-energia/ […]


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

%d blogueiros gostam disto: