Publicado por: otaodabiologia | 25/06/2009

Variações naturais na temperatura e CO2

Em meu último artigo, demonstrei como a ideia de “temperatura média” da Terra é errônea, e propus uma explanação mais acurada sobre as variações naturais da temperatura e das concentrações de  CO2 na atmosfera. Os gráficos que irei utilizar aqui são os mesmos que foram publicados em blogs e páginas da internet (com as devidas citações bibliográficas) que defendem a existência de um aquecimento global.

Petit et al. (1999) publicaram em seu trabalho os dados de suas observações realizadas em Vostok, Antártica. Vamos utilizá-lo como base segura para nossas observações, visto que trata-se da temperatura média de uma região relativamente pequena quando comparada à Terra como um todo. Um de seus gráficos está exposto no site Mongabay.com

2005-11-28_climateComo podemos notar, a linha azul representa as variações da temperatura, a linha verde as variações da concentrações de CO2 na atmosfera e a linha vermelha, a poeira. O mais importante, antes de mais nada, é perceber que a escala apresentada no eixo das abscissas (eixo X), está em MILHARES DE ANOS ATRÁS, ou seja, o presente gráfico retrata uma história dos últimos 450 mil anos dessas variáveis.

Nosso primeiro passo: comparar as concentrações de CO2 na atmosfera e sua relação com a variação da temperatura. Para tanto, apaguei a linha que demonstra a variação na poeira, de forma que o gráfico fique menos poluído visualmente.

2005-11-28_climate_2

Em primeiro lugar, verificamos, sem a menor dificuldade, que tanto a temperatura quanto as concentrações de CO2 na atmosfera são altamente variáveis no tempo, e que a ação humana não tem importância em relação a variação da temperatura. Afirmo isso de forma categórica pois o homem surgiu na face da Terra entre 150 a 200 mil anos atrás (Smithsonian Institution, 2000) e o maior pico de temperatura foi registrado entre 300 e 350 mil anos atrás, cerca de 150 a 200 mil anos antes do homem surgir (veja o gráfico abaixo). Além disso, somente podemos considerar a presença humana como ameaçadora ao meio ambiente, nos termos propostos, após a revolução industrial, a qual somente ocorreu na metade do século XVIII.

Assim, quais seriam as causas das variações naturais da concentração de CO2 na atmosfera que ocorrem quase que ciclicamente perfeitas? Essa é uma das mais importantes questões a ser respondida para que possamos começar a compreender os mecanismos climáticos terrestres. Entretanto, a resposta para essa questão deve ser consolidada e não haver conjecturas controversas.

Obviamente, tais variações estão relacionadas a diversos fatores climáticos terrestres e extraterrestres (como a ação solar, por exemplo). É muito mais plausível que as variações nas concentrações de CO2 na atmosfera tenham como principal causa as ações externas, as quais devem ser cíclicas, pois as variações na concentração de CO2 possuem uma alta amplitude e mantém-se limitadas dentro de certos valores superiores e inferiores. Assim, se a ação do Sol for uma das grandes responsáveis, assim como tem sido demonstrada pelos cientistas e totalmente ignorada pelo IPCC, demonstra-se com mais naturalidade científica que as emissões de CO2 são causadas pelo aquecimento da Terra e variam dentro de certos limites.

2005-11-28_climate_3

Quando olhamos para a maior temperatura registrada, percebemos que a ação humana é realmente insignificante, pois ela ocorre milhares de nos antes do surgimento do homem (como no caso do CO2) e, além disso, a temperatura nos últimos 10 mil anos tem pouco variado. Observe o gráfico:

2005-11-28_climate.4

Um questionamento importante a ser feito, do ponto de vista da biodiversidade, é se os seres vivos seriam realmente reduzidos drasticamente caso a temperatura variasse. Bem, olhe a biodiversidade atual e veja pelo que ela passou nos últimos 450 mil anos (algo que na escala geológica poderia ser classificado como “ontem” – a vida surgiu na face da Terra há 3,5 bilhões de anos). As variações de temperatura foram de -8⁰C para +3⁰C em poucos milhares de anos (entre 100 e 150 mil anos atrás – veja o gráfico). Portanto, temos que as espécies, incluindo o Homo sapiens, passaram por um aquecimento terrestre igual a 11⁰C e ainda estão aqui. Por que deveríamos nos preocupar com todos os seres vivos se a temperatura voltasse a se elevar  se eles já passaram por isso anteriormente e o homem não tinha culpa nenhuma? Na verdade não estamos preocupados se a espécie A ou B irá desaparecer, estamos preocupados é com o resultado que isso trará para nossas vidas, pois haverá um “desequilíbrio ecológico”, algo totalmente arrogante e egoísta da humanidade. Afinal de contas, ninguém deseja mudar seus hábitos.

O homem ainda acredita que a natureza é imutável e que tudo que ocorre fora de seu controle é desastroso. A natureza, o que inclui o clima, foi, é, e sempre será, totalmente oscilante. É a oscilação que promove o equilíbrio. Se nos preocupamos tanto quando uma determinada espécie entra em extinção, achando que o ecossistema entrará em colapso, deveríamos nos lembrar do caos ecológico que deve ter ocorrido quando os dinossauros foram extintos da face da Terra, afinal eles eram enormes, eram muitos (tanto em quantidade de  indivíduos como em quantidade de espécies) e consumiam muitos recursos naturais. Paradoxalmente, o planeta está bem hoje, a vida ainda existe e continuará existindo.

Agora, o grande absurdo especulativo:

A Amazônia está condenada a perder no mínimo 20%
de sua fisionomia original com as mudanças climáticas.
O impacto poderá ser ainda pior e afetar 85% da flores-
ta se as temperaturas ultrapassarem a casa dos 4ºC, com-
paradas com níveis pré-industriais. Este foi o quadro
sombrio apresentado pelo Centro Hadley, instituto de
meteorologia do Reino Unido, durante o Congresso Cien-
tífico Internacional sobre Mudanças Climáticas, em Co-
penhague.

temp_amazonia
(FALEIROS, G., “Clima pode comprometer 85% da mata amazônica” Folha de S. Paulo, Ciência, , 12/03/2009, p. A16.)

Perceba o tamanho do absurdo assumido acima. Com um aumento de 4⁰C na temperatura somente 15% da floresta iria sobreviver. E toda variação que já existiu naturalmente e foi demonstrada pelos próprios cientistas do IPCC? Como a Amazônia durou até hoje? Podemos perceber que não há consenso nenhum entre os próprios membros do IPCC e muito menos bom senso, algo fundamental. O grande problema é que esses dados são obtidos por meio de previsões baseadas em cenários planejados, ou seja, totalmente manipuláveis para dar um ou outro resultado. O que seria mais vantajoso do ponto de vista midiático, uma notícia que o clima vai bem e é naturalmente variável, que não precismos no preocupar, ou uma notícia alarmante, que toda a vida corre perigo, que o homem está caminhando para a destruição do planeta? è só uma questão de mudar os parâmetros das previsões.

Dentro desses preceitos, que eu acredito estarem claros agora, podemos perceber o que a mídia consegue fazer com as pessoas. Elas conseguem ver o que não existe e, ainda por cima, justificam sua posição por meio de gráficos. Observe a imagem abaixo que obtive do site Green Options, em uma matéria publicada por Ryan Thibodaux, um jovem administrador de empresas:

green_options_falha

Ele argumenta:

CO2 pode ser necessário para a vida, mas muito dele causa o aquecimento global. Realmente causa! Veja:

Logo a seguir vem o gráfico e vemos que mesmo com a concentração de CO2 subindo, a temperatura quase não varia (ponta da seta). Além disso, podemos perceber que nesse ponto a temperatura não é a mais alta já registrada. Ou seja, o autor afirma algo e, em sua demonstração, destrói seu próprio argumento. Algo típico de quem não sabe ler gráficos e/ou tem pouco conhecimento teórico sobre o assunto. A única coisa que poderíamos dizer em relação à parte do gráfico em que o homem contribui com o aumento do CO2 na atmosfera é que a alta concentração desse gás, acima de certos valores, parece não afetar a temperatura terrestre.

Devo concordar com o senso comum: há sim uma estrita relação entre a variação da temperatura e as concentrações de CO2 na atmosfera. Agora precisamos saber quem é a causa e quem é o efeito, ou seja, será que a variação nas concentrações de CO2 na atmosfera provoca a variação da temperatura, como largamente proposto, ou será que o inverso é verdadeiro, ou seja, as variações na temperatura provocam as variações nas concentrações atmosféricas de CO2?

Além disso, outro gráfico nos mostra que não existe somente uma estrita relação entre CO2 e temperatura, mas também entre o CO2 e o metano (CH4). Portanto, estamos trabalhando comum tripla relação ( CH4, CO2 e temperatura). Observe a relação entre o CO2 e o CH4 no gráfico abaixo:

climate_chartNovamente, ao verificar as variações das concentrações de CH4 na atmosfera, voltamos ao mesmo questionamento relativo ao CO2. Quais as causas das variações naturais em sua concentrações ao longo dos milhares de anos?

Com um gráfico cuja escala é de milhares de anos, fica difícil apontar a relação de causa e efeito, visto que o espaçamento entre os anos é pequeno demais para perceber claramente que sofre elevação antes, se é a temperatura ou a concentração de CO2. Como Al Gore, ex-candidato à Casa Branca e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2008 pelas suas contribuições no combate ao aquecimento global, produziu um filme chamado Uma Verdade Inconveniente (An Inconvenient Truth), no qual mostra a estrita relação entre o CO2 e a temperatura, vamos nos valer do mesmo gráfico para demonstrar a relação oposta entre as variáveis. A imagem abaixo é um printscreen do meu monitor durante a cena do filme.

uma_verdade_inconveniente_1Como o gráfico está alargado e não aparece por completo, fiz um segundo printscreen quando a câmera andou para o lado.

uma_verdade_inconveniente_2Nos gráficos, a linha vermelha representa a variação de  CO2 na atmosfera e a linha azul a variação da temperatura. Os v\alores representados no eixo X representam o tempo (em anos).

De novo, o que você pode perceber? Uma estrita relação entre o  CO2 e a temperatura? Obviamente que sim, você está correto, assim como Al Gore também está. Mas agora faça uma análise mais pormenorizada dos gráficos. Quem sofre uma elevação antes: o CO2 ou a temperatura? Vamos traçar algumas linhas sobre os gráficos para ficar visualmente mais fácil sua interpretação.

uma_verdade_inconveniente_retas_1.

uma_verdade_inconveniente_retas_2

De forma impressionante, mesmo com o distanciamento dos pontos no eixo X, ao procurar um ponto de discordância da relação proposta pelos cientistas do IPCC, os pontos de aumento de temperatura e concentração de  CO2 estão sobre os mesmo pontos do gráfico. Isso não nos permite afirmar que o  CO2 é o responsável pelo aumento da temperatura, bem como também não poderíamos afirmar o inverso. Entretanto, como você pode ver, marquei 4 pontos no gráfico (a, b, c, d) que fogem dessa regra.

No ponto A, podemos verificar que, embora a concentração de  CO2 esteja aumentando, a temperatura diminui, o que é totalmente contraditório com a teoria do efeito estufa. Tudo bem, parece ser insignificante, pois as retas estão muito próximas. Mas não é! Lembre-se da escala do gráfico.

Para verificar o tempo entre as duas retas, utilizei o programa de edição de imagens GIMP 2.6.1. Medi a distância, em pixels, entre 50.000 anos (dois traços consecutivos no eixo X) e entre as retas. Por meio de uma regra de três simples, cheguei a um valor de aproximadamente 5.376 anos. Assim, durante esses mais de 5.000 anos, mesmo com o CO2 aumentando, a temperatura estava caindo. Não se trata de pouco tempo.

No ponto B temos o contrário. Enquanto a concentração de CO2 diminui, a temperatura sofre elevação. Observe! A distância entre as duas retas equivale a 14.516 anos, aproximadamente. No ponto C, temos o mesmo evento ocorrido no ponto B, entretanto o período de tempo entre o início do aumento da temperatura e o início do aumento da concentração de CO2 na atmosfera é de aproximadamente 10.000 anos. Assim, somente após 10.000 anos do início do aumento da temperatura verifica-se que o CO2 começou a se elevar na atmosfera.

O ponto D nos mostra que mesmo com um aumento abrupto da concentração de CO2 a temperatura ainda se mantém estável por pelo menos 15.789 anos.

Todos essas evidências nos levam a acreditar que há uma tendência de aumento de concentração de CO2 na atmosfera quando a temperatura sofre uma elevação, e não o contrário. Alguns exames mais detalhados dos pontos em que a temperatura e o CO2 aparentemente coincidem revelam que aproximadamente 800 anos antes da concentração de CO2 aumentar há uma elevação na temperatura.

No próximo artigo, iremos verificar se a temperatura da Terra está realmente aumentando. Obrigado pela atenção

Antonio Carlos Martinho Junior

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Petit, et al. Climate and atmospheric history of the past 420,000 years from the Vostok ice core, Antarctica, Nature, v. 399, p. 429-436, 1999

Smithsonian Institution, 2000. Human Origins Program. Disponível em: http://anthropology.si.edu/humanorigins/index2.htm

CO2

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Responses

  1. […] de resfriamento pelo qual a Terra passa constantemente (veja os gráficos do artigos “Variações naturais na temperatura e CO2“), sabe-se que as erupções vulcânicas têm grande impacto. A última erupção vulcânica […]

  2. o documentario é muito importante, quem assistiu; garanto que, vai se preocupar um pouco mais com o mundo em que vive ;e, que daqui uns anos, poderá não suportar as pressões que impusemos sobre ele.

  3. mt bom

  4. ACHEI BACANA PARABENS CONTINUE ASSIM VOCES SAO MELHORES……………………………….THAUL

  5. eu sou inteligete


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