Publicado por: otaodabiologia | 31/05/2009

Um fato alarmante: o presente não existe!

Muito tempo se passou desde as primeiras descobertas do físico alemão Albert Einstein. Entretanto, suas implicações persistem em todas as áreas do conhecimento, desde na própria Física como em outras um pouco mais distantes, mas não menos importantes para o conhecimento humano.

Cito as descobertas de Albert Einstein pelo fato delas marcarem uma nova era da Física, a Física Moderna, a qual, ainda, hoje não entrou de forma definitiva para o currículo escolar brasileiro. Uma das grandes descobertas realizadas no final do século XIX foi a determinação da velocidade da luz. O fato da luz possuir uma velocidade parece trivial visto a primeira maneira, mas suas implicações são as mais audaciosas possíveis. A confirmação de que a luz possui um velocidade conduziu Albert Einstein a desenvolver suas teorias da Relatividade, não sendo, portanto, o objetivo deste artigo traçar uma relação das descobertas de Einstein com a determinação da velocidade da luz em si, mas traçar um paralelo entre tal determinação e suas consequências para o pensamento humano moderno.

Antes de tal descoberta, acreditava-se que a luz não possuía uma velocidade fixa, ou seja, que ela ocorria de forma instantânea. Ao se determinar a velocidade da luz, a mesma foi igualada novamente a todos os outros fenômenos da natureza até então compreendidos, mas não necessariamente controlados. A velocidade da luz no vácuo é aproximadamente igual a 300.000 Km/s ou 300 milhões de metros por segundo (3.10⁸ m/s).

O responsável pela determinação da velocidade da luz foi Albert Abraham Michelson, embora outros cientistas tenham determinado a velocidade de forma menos precisa cerca de dois séculos antes. O fato de que a luz possui uma velocidade, a qual acredita-se ser a velocidade limite no universo, nos faz questionar a existência do presente, uma vez que toda percepção humana (aqui nos incluo como meros animais) de realidade temporal é dada principalmente pela visão.

Assim como sabemos que alguns segundos após observarmos um relâmpago, ouvimos um trovão, e que isso ocorre devido ao fato de que o som viaja muito mais vagarosamente do que a luz, devemos considerar que quanto mais longe se observa um objeto, mais distante estamos dele temporalmente.

O tempo que a luz leva para se deslocar de uma fonte a um ponto qualquer é dada pela equação da velocidade, já conhecida desde os primórdios do ensino médio:

velocidade_mediaIsolando-se o tempo na equação acima, temos:

vel_tempoImagine um objeto qualquer, que está a apenas 2,97 metros de distância de nossos olhos. O tempo que a luz refletida nesse objeto irá levar até atingir o fundo de nossa retina, a qual tem um raio de aproximadamente 3 cm, será igual a:

vaso_retinaDistância real do objeto até o fundo da retina: 2,97 + 0,03 = 3 metros
Velocidade da luz: 3.10⁸ m/s

Portanto, temos:

tempo_3m

Mesmo que insignificante, a luz leva um pequeno tempo até chegar a nossa retina. Desconsiderando-se o tempo de transporte do impulso nervoso do nervo óptico ao cérebro, temos que, quando observamos um objeto a 3 metros de distância, estamos na verdade formando uma imagem em nosso cérebro com uma defasagem de tempo igual a 0,00000001 s da realidade.

Vejamos o que acontece com o tempo se o mesmo objeto estivesse a 3 Km de distância (já contado o diâmetro da retina):

tempo_3km

Quando mais distante está um objeto, mais atrasado está em relação ao tempo. É por esse motivo que Albert Einstein dizia que ao se olhar no espelho ele estava, na realidade, olhando o seu passado. O mesmo vale para as estrelas: elas estão a uma distância tão grande que sua luz, mesmo percorrendo 300.000 Km em apenas um segundo, leva um tempo demasiadamente grande para ofuscar nossa visão. Assim, se olharmos agora para o céu noturno e observarmos uma determinada estrela, não podemos de forma alguma afirmar que ela realmente está lá, pois pode ter morrido há milhares de anos, e sua luz ainda viaja até nós.

Mas afinal, se quanto mais distante um objeto está de nós mais estamos atrasados em relação ao presente físico, qual seria o presente menos passado, se é que podemos assim dizer?

A resposta está, desculpem o trocadilho, bem diante dos nossos olhos! O ponto mínimo do presente é aquele que está na superfície do nosso olho, praticamente em contato com nossa córnea. Esse é o ponto cuja distância é a menor possível para a formação de uma imagem. Como nossa retina possui apenas 3 cm de diâmetro e a distância entre o objeto e nosso olho tende a zero, temos:

menos_passado

Isso significa que somos capazes de perceber, na melhor das hipóteses, o mundo com um atraso de 0,1 bilionésimos de segundo! Não existe, portanto, sentido em conjugar nenhum verbo no presente 😛

Apenas uma questão filosófica

platao

Busto de Platão.

Desde seus primórdios, o ser humano trava uma luta com sua própria natureza na tentativa de compreender a origem do Universo e sua própria origem. Entretanto, a realidade que é capaz de perceber é totalmente condicionada aos sentidos (visão, audição, paladar, tato e olfato), os quais são, de longe, altamente limitados para a compreensão do mundo real. Tal fato já é conhecido há muitos séculos, podendo ser comprovado pelo Mito da Caverna de Platão (347 a.C.) o qual, por meio de uma metáfora, demonstra que o homem vive do senso comum da realidade, não sendo capaz, por meio dos seus sentidos, de compreender a verdadeira realidade. Somente o uso da razão poderia propiciar tal compreensão.

Dezenas de séculos se passaram e pouca coisa mudou. De forma geral, a grande maioria da população ainda forma uma imagem da realidade pelo senso comum e por suas observações superficiais. Como demonstrado acima, a própria realidade temporal é falsa, em seu sentido mais estrito, pois sempre estamos analisando eventos passados em um presente apenas mental.

Exatamente por esse motivo, as ciências exatas e biológicas se valem de uma análise matemática apurada dos eventos estudados, além de experimentos cada vez controlados com maior precisão. Não obstante, o conhecimento filosófico se faz cada vez mais necessário para a verdadeira compreensão de mundo, visto que suas premissas fundamentais nos abrem as portas para o conhecimento mais aprofundado da realidade.

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Responses

  1. Agora eu fiquei doido mesmo, hahaha.
    Bom texto garoto.


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