Publicado por: otaodabiologia | 20/01/2010

Incredibilidade do IPCC

Muitos vêm questionado a credibilidade tanto dos cientistas como dos relatórios preparados pelos “especialistas” do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, da ONU). Entre relatos de ex-pesquisadores envolvidos no programa e roubo de emails dos cientistas às vésperas do COP 15, surge mais uma evidência da fragilidade dos resultados publicados pelo IPCC.

De acordo com a France Presse, George Kaser, o cientista do Instituto de Glaciologia de Innsbruck admitiu que cometeu um erro e, ao avisar seus colegas do Painel, foi completamente ignorado sem motivos aparentes. Tal erro nada mais era uma previsão de que no ritmo atual de aquecimento, as geleiras do Himalaia derreteriam por completo até 2035. Nas palavras do próprio pesquisador:

“No fim de 2006 [...], me dei conta desse erro e de alguns outros. Foi depois da última revisão, mas antes da publicação, portanto existia a possibilidade de modificar o texto” … “Eu disse a eles”, insistiu. “Mas, por motivos que desconheço, ninguém reagiu”, afirmou, lamentando a atitude de seus colegas.

Para piorar a situação do IPCC, o qual é dito como sendo como um painel científico, o ministro do meio ambiente da Índia, Jairam Ramesh, afirmou que as geleiras estão diminuindo sim, mas o relatório que prevê seu desaparecimento até 2035 não está baseado em evidências científicas. Não obstante, o IPCC afirmou que tal previsão foi baseada em “estimatimas vagas sobre o ritmo do derretimento” e que verificações apropriadas não foram realizadas.

Assim, depois do roubo de milhares de email trocados entre cientistas envolvidos com o programa da ONU em que ficava claro a manipulação de dados, o IPCC afirma clara e abertamente que se utiliza de “estimativas vagas” e que “verificações apropriadas não foram realizadas”.

Ora, até onde me consta, ciência se baseia em fatos mensuráveis e não em estimativas vagas, ainda mais quando se trata de um trabalho de proporções globais.

De acordo com o cientista chinês Zhang Wenjig, o que realmente vem acontecendo no Himalaia é que até o momento as geleiras no centro e leste do Himalaia não sofreram degelos em escala significativa”. Além disso, Zhang afirma que, ao contrário das previsões, as inundações dos lagos nas regiões próximas ao Himalaia não aconteceram. O estudioso acredita que as grandes massas de gelo “não derreterão nas próximas décadas, nem mesmo em séculos”.

Publicado por: otaodabiologia | 28/12/2009

CO2: matéria-prima para nova geração de combustíveis.

Nos últimos artigos publicados, venho propondo que o verdadeiro motivo para o alarde mundial sobre um possível aquecimento global antropogênico é, na verdade, fruto de um mecanismo acionado para que haja uma diminuição na dependência de petróleo como matriz energética base do planeta, visto que a demanda de energia vem aumentando vertiginosamente e as fontes do mesmo se tornando cada vez mais escassas (mesmo com a descoberta do pré-sal aqui no Brasil). Dessa forma, com o temor generalizado, o investimento em novas fontes de energia que venham a cumprir o papel do petróleo hoje em dia assenta-se como meta para todas as nações.

Como já esperado, inúmeras pesquisas científicas no campo de energias limpas e renováveis tomaram vulto nos últimos anos. Embora a massificação dos termos “energia solar”, “energia eólica”, “energia de marés”, entre muitos outros, tenham ganhado maior destaque na mídia, nenhum deles está nem ao menos próximo de poder suprir a demanda de regiões pequenas, quanto mais de regiões metropolitanas altamente industrializadas, o que obviamente impediria o crescimento das nações em desenvolvimentos (como Brasil, Índia, China e África do Sul, por exemplo) e das nações subdesenvolvidas. Por outro lado, alguns outros grupos de pesquisadores mergulham profundamente em soluções muito mais reais, como publicado em meu último artigo “Reatores de Fusão: o futuro da energia“.

Ainda dentro das possibilidades de soluções realmente viáveis, cientistas dos Estados Unidos publicaram recentemente um artigo que me chamou a atenção não só pela destreza, mas pela inteligência oculta por trás da visão norte-americana que, ao invés de promoverem um alarde generalizado por meio de campanhas anti-carbono e coisas do tipo, preferiram investir em pesquisa, deixando para trás todos outros países que apenas fizeram e ainda fazem apenas barulho, como no caso do Brasil, que é incapaz de tomar conta do próprio território (entenda-se como “Amazônia”), permitindo queimadas e desmatamentos ilegais, uma das principais fontes de emissão de CO2 brasileira.

Basicamente, como já relatei em um breve post aqui no site, os cientistas da Universidade da Califórnia aprimoraram o método de “fotossíntese” por meio de engenharia genética. O indivíduo escolhido pelos cientistas foi a cianobactéria Synechococcus elongatus. A cianobactéria foi alterada geneticamente de forma a produzir isobutiraldeído a partir do CO2 atmosférico. O isobutiraldeído é precursor de diversas substâncias químicas, incluindo o isobutanol, o qual pode ser utilizado como substituto da gasolina. Caso queira ler o artigo original, clique aqui.

Embora existam diversas maneira de produzir etanol diretamente a partir de processos semelhantes à esse, existe um grande problema em quase todos eles no que tange à retirada do produto do meio no qual ele foi produzido. Exemplo dessas formas de produção de etanol diretamente por meio da fotossíntese são as bactérias Rhodobacrer spaeroides e Rhodobacrer capsulatus, ambas alteradas geneticamente e capazes de produzir o etanol com uma titulação final igual a aproximadamente 800 mg/l.

A nova abordagem utilizada pelos pesquisadores para produzir combustível por meio da fotossíntese é baseada no fato de que o isobutiraldeído possui um baixo ponto de ebulição (63ºC) e uma alta pressão de vapor (66 mmHg a 4,4ºC), fazendo com que ele seja facilmente extraído da cultura microbiana durante sua produção. O fato de poder ser removido da cultura durante o processo de produção resulta na diminuição da sua citotoxicidade, possibilitanto a utilização de culturas de bactérias por longos períodos.

As próximas décadas serão dedicadas literalmente a estudos que aprimorem cada vez mais as técnicas de obtenção de energia de fontes renováveis, não necessariamente devido à preservação do meio ambiente, mas certamente com enfoque para a manutenção do crescimento da economia em escala mundial. Que o Brasil tome uma iniciativa verdadeira para explorar essa nova possibilidade de crescimento e deixe de realizar apenas discursos voláteis, que até hoje não trouxeram resultados positivos para a população brasileira.

Publicado por: otaodabiologia | 24/12/2009

Reatores de Fusão: o futuro da energia

Frente ao fanático e problemático “aquecimento global” está a principal causa dos temores humanos: a dependência energética baseada em recursos não-renováveis. Basicamente, a maior parte da energia produzida no planeta é derivada da queima direta de combustíveis fósseis, originados do petróleo e do carvão natural. Entretanto, tanto o carvão natural como o petróleo são bens não-renováveis, cuja aplicação não está somente relacionada à sua queima para produzir energia elétrica, mas também, como no caso do petróleo, para produzir tintas, solventes, óleos lubrificantes, plásticos, entre muitos outros.

Com as reservas mundiais de petróleo se exaurindo e o consumo aumentando, o colapso de todas as economias é cada vez mais real caso não se desenvolva tecnologias para geração de energia elétrica a partir de outras fontes. De fato, com todo clamor mundial sobre o aquecimento global, fontes alternativas de energia se desenvolveram e ganharam mercado. Pessoas “ecologicamente corretas” ou “ecologicamente comprometidas” adquiriram painéis solares para literalmente enfeitar seus telhados e mostrar aos seus vizinhos o quão engajadas são, ou em uma situação um pouco mais arrogante, para mostrar que possuem dinheiro.

Infelizmente, o uso da energia solar é um dos maiores romantismos que existem sobre o assunto de energias renováveis. Basta tomarmos a maior usina solar em operação no mundo e fazer as devidas comparações para ver como é difícil manter essa fonte, principalmente para países pobres e em desenvolvimento. Atualmente, a menina dos olhos dos ambientalistas está localizada na Espanha, a 30 km de Sevilha. A usina conta com 900 espelhos de 120 m2 que se movem junto com o Sol para refletir seus raios em uma torre de 160 metros de altura. Com  todos os raios solares convergidos em um único ponto, a energia concentrada faz a água que circula dentro de tubulações na torre evaporar e girar uma turbina que produz energia elétrica. A energia produzia por essa usina é capaz de abastecer aproximandamente 180 mil residências, o que equivale a aproximadamente 600 mil pessoas.

Mas onde está o romantismo nisso tudo? Acontece que essa usina ocupa uma área equivalente a 60 campos de futebol e teve um custo de meio bilhão de dólares. 600 mil habitantes é aproximadamente o que possui a cidade de Santos, litoral de SP. Você consegue imaginar a viabilidade de construir uma usina como essa para abastecer uma cidade desse tamanho? Imagine o que seria necessário construir para abastecer uma cidade como São Paulo! Infelizmente, não se pode acreditar que esse tipo de fonte energética poderá suprir as necessidades de cidades de médio e grande porte, principalmente por que existirão diversas indústrias com alta demanda, e não apenas residências. Mesmo que o custo seja altamente reduzido, ainda sim teríamos diversos problemas relacionados à própria natureza dessa fonte, uma vez que em dias nublados ou longos períodos sem Sol (como no caso do inverno), a geração de energia elétrica seria drasticamente afetada.

Fusão Nuclear

Embora você já deva ter ouvido falar em energia nuclear, com todas suas desvantagens colocadas em primeiro lugar, não se trata de reatores nucleares convencionais, os quais são reatores de fissão nuclear e baseiam-se na quebra de núcleos atômicos (como o de urânio ou plutônio). Reatores de fusão nuclear ainda não estão funcionando comercialmente, mas em um breve futuro estarão.

As pesquisas com fusão nuclear tiveram início há décadas e hoje existe o principal projeto que pode alterar o rumo da produção de energia elétrica pela humanidade. Trata-se do projeto ITER, um consórcio entre 7 nações que está sendo desenvolvido na cidade de Cadarache, sul da França.

Para promover a fusão nuclear, os cientistas do ITER tiveram que alcançar a incrível temperatura de 150 milhões de graus Celcius, o que significa que a temperatura em seu interior é 10 vezes maior que a do núcleo solar. Obviamente, para alcançar essa temperatura, muita energia é utilizada. Entretanto, o rendimento obtido pelo ITER é 10 vezes maior que a energia inicial de ativação. Com o uso de 50 MW a produção é igual a 500 MW.

Você deve estar se perguntando sobre o lixo nuclear, não é? Pois a fusão nuclear irá formar apenas Hélio (um gás inerte) e nêutrons. Os nêutrons serão depositados dentro do vaso do reator e serão utilizados para produzir calor e ativar materiais. Para saber mais sobre o ITER e o meio ambiente, acesse http://www.iter.org/Pages/Environment.

Embora tenha consumido bilhões de dólares em pesquisas (o que parece um contrasenso em relação aos 500 milhões consumidos pela construção da usina de energia solar da Espanha) trata-se apenas de um reator de fusão nuclear experimental, cuja única função é abrir caminho para reatores comerciais. Esses reatores dificilmente estarão disponíveis comercialmente antes de 2030, mas frente a atual situação energética mundial as expectativas de que todos os detalhes técnicos sejam resolvidos o mais breve possível, e com segurança máxima, são as maiores possíveis.

Atualmente, o projeto encontra-se na fase de preparação do terreno do local onde será construído o reator, construção essa que começará em 2010 e será concluída, de acordo com as estimativas, em 2018. Caso o ITER obtenha sucesso em suas pesquisas, o passo seguinte é dar início ao DEMO (Demonstration Power Plant), cujo design deverá estar pronto em 2017. Com tudo ocorrendo bem, espera-se que o DEMO esteja em operação comercial em 2030. Em 2040, espera-se que a fusão nuclear esteja entre as principais fontes de energia do planeta, visto que o DEMO foi projetado para produzir entre 2000 e 4000 MW.

Agora temos alguns caminhos a percorrer: investir em pesquisas na área, qualificar apropriadamente mais técnicos, engenheiros e físicos, promover o reconhecimento da importância desse projeto para toda a sociedade, entre muitos outros. Vamos correndo atrás do futuro!

Até a próxima!

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